A parte comercial do acordo entre o Mercosul e a União Europeia entrou em vigor de forma provisória em 1º de maio de 2026, com o Acordo Provisório de Comércio internalizado no Brasil pelo Decreto nº 12.953/2026. Para quem acompanha a manchete, é notícia sobre blocos econômicos. Para quem importa da Europa, é uma mudança em duas linhas concretas do custo: a tarifa e o câmbio.
O que mudou para quem compra da Europa
Com o acordo em vigor, as tarifas de importação sobre produtos europeus começaram a cair, dentro de um período de transição que varia por produto. O efeito aparece com força em bens de capital: máquinas, equipamentos industriais de precisão e produtos químicos, muitos sem similar nacional, ficam mais baratos para a indústria brasileira. Para o importador, isso reduz o custo de trazer da Europa aquilo que antes pagava tarifa cheia.
Nem tudo entra igual. Produtos sensíveis, como veículos, laticínios e chocolate, seguem sob cotas, com um volume limitado a tarifa reduzida e o excedente na tarifa normal. O governo publicou um sistema de consulta para verificar, produto a produto, qual é o acesso preferencial aplicável.
O benefício não é automático
A redução de tarifa não cai sozinha na conta. Para usar a preferência do acordo, a importação precisa ser registrada no Portal Único Siscomex, por meio da Declaração Única de Importação, indicando o código do acordo no campo de fundamentação legal da preferência tarifária. O importador também precisa vincular a declaração de origem emitida pelo exportador europeu e manter esse documento por pelo menos três anos, contados da data da importação. A prova de origem tem validade de doze meses.
Quando o produto está sujeito a cota, há um procedimento próprio de gestão da cota tarifária, com licença emitida no Portal Único Siscomex.
O ganho existe, mas depende de enquadrar a operação certo. Errar aqui é deixar o desconto na mesa.
O câmbio em euro é a outra metade do custo
A tarifa é só uma linha do custo de importar. A outra é o câmbio, e costuma receber menos atenção. Comprar da Europa significa pagar o fornecedor em euro, e é aí que parte do ganho pode escorrer.
O câmbio de importação tem alíquota zero de IOF, então o custo da conversão está no spread e no momento do fechamento. Uma tarifa menor ajuda pouco se a conversão em euro sai cara ou é fechada em um momento ruim. Quanto mais a empresa importa da Europa, mais esse detalhe se repete e mais pesa no resultado do ano.
Com mais motivo para comprar da Europa, as operações em euro tendem a crescer, e o custo da conversão ganha peso no resultado. Vale tratar o euro como uma linha de custo que dá para acompanhar e gerenciar.
O euro como linha de custo, com o Intex Bank
No câmbio comercial e financeiro do Intex Bank, a empresa vê o custo da conversão em euro antes de executar, com spread transparente. As remessas internacionais para pagamento de fornecedor europeu são preparadas conforme a natureza da operação, e os registros declaratórios acompanham a operação junto ao Banco Central. Para importações programadas ao longo do período de transição, as operações de hedge cambial ajudam a travar a taxa e a proteger o custo em euro.
A tarifa menor é dada pelo acordo. Quanto dela sobra depende da conversão.
Título: Brasil e União Europeia: o que o comércio entre os blocos representa para quem importa?
Meta Description: Com o acordo Mercosul-UE em vigor, a tarifa de produtos europeus cai. Veja o que muda para o importador e por que o câmbio em euro decide quanto do ganho fica.
URL Slug: /blog/brasil-uniao-europeia-comercio-para-quem-importa
Palavras-chave: acordo Mercosul União Europeia, importar da Europa, câmbio em euro, importação, câmbio para importadores, Intex Bank.
Fontes:
https://www.gov.br/siscomex/pt-br/acordos-comerciais/acordos-comerciais/entrada-em-vigor-mercosul-ue